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Câncer de mama representa desafio à saúde no Amazonas

Estimativa do INCA aponta 410 novos diagnósticos somente em Manaus; campanha reforça importância da atenção aos sinais e do diagnóstico precoce

O Outubro Rosa amplia durante este mês a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer de mama. No Amazonas, a doença permanece entre os principais tipos de câncer que atingem as mulheres, com estimativa de 600 novos casos em 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Do total projetado para o estado, 410 casos são estimados somente para Manaus.

Os números reforçam a importância do acesso à informação, do acompanhamento regular da saúde e da investigação de alterações suspeitas nas mamas.

Região Norte pode registrar 2.950 novos casos

O cenário também merece atenção em toda a Região Norte.

Segundo as estimativas apresentadas pelo INCA, são esperados 2.950 novos casos de câncer de mama entre mulheres em 2026, correspondendo a um risco estimado de 31,28 casos para cada 100 mil mulheres.

Mesmo apresentando incidência inferior à observada em outras regiões brasileiras, o câncer de mama permanece como o tumor mais incidente entre as mulheres nortistas quando são desconsiderados os cânceres de pele não melanoma.

A doença representa aproximadamente 24,5% dos casos estimados de câncer entre mulheres na Região Norte, dentro desse recorte.

Amazonas também enfrenta números elevados de câncer do colo do útero

No Amazonas, são estimados 2.780 casos de câncer entre mulheres em 2026, excluindo os tumores de pele não melanoma.

Desse total, 600 correspondem ao câncer de mama.

Outro dado relevante para a saúde feminina é a incidência estimada de câncer do colo do útero, com 620 novos casos projetados no estado.

Os números mostram que a atenção à saúde feminina precisa envolver diferentes estratégias de prevenção, rastreamento, diagnóstico e acesso ao tratamento.

Diagnóstico precoce pode fazer diferença

Para o oncologista Dr. Peter Silva, da Oncológica do Brasil, as estimativas reforçam a necessidade de manter o acompanhamento médico e procurar atendimento diante de alterações nas mamas.

“O câncer de mama é uma doença que pode apresentar diferentes manifestações e, em muitos casos, quanto mais cedo ela é identificada, maiores são as possibilidades de tratamento. Por isso, a mulher precisa conhecer o próprio corpo e procurar avaliação diante de qualquer alteração que não seja habitual”, explica.

Conhecer o próprio corpo pode ajudar a perceber mudanças, mas isso não substitui a mamografia, outros exames indicados ou a avaliação de um profissional de saúde.

Um toque mudou a vida de Giselly

Foi ao perceber uma alteração na própria mama que Giselly Lira, então com 42 anos, iniciou uma investigação que mudaria sua rotina.

A alteração foi percebida em 2023. Depois da realização de exames e de uma biópsia, veio o diagnóstico de câncer de mama.

“Meu mundo caiu. Achei que era o fim”, lembra Giselly.

O tratamento começou com 16 sessões de quimioterapia.

Como o tumor não apresentou a resposta esperada ao tratamento inicial, Giselly precisou passar por uma mastectomia radical e posteriormente continuou o tratamento com medicação oral.

Uma nova rotina depois do tratamento

Atualmente, Giselly segue acompanhando sua saúde e procura manter uma rotina ativa.

Atividade física e dança, que já faziam parte de sua vida antes do diagnóstico, permanecem presentes nessa nova etapa.

A experiência de Giselly também chama atenção para a importância de observar alterações persistentes no corpo e buscar atendimento profissional quando necessário.

Quais sinais merecem atenção?

Algumas alterações nas mamas precisam ser investigadas.

Entre elas estão:

  • caroço ou nódulo endurecido na mama;
  • mudanças na pele da mama;
  • alteração no formato da mama;
  • retração do mamilo;
  • saída espontânea de líquido pelo mamilo;
  • nódulos ou caroços nas axilas.

A presença desses sinais não significa necessariamente câncer de mama. Entretanto, alterações persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Idade é um dos principais fatores de risco

Segundo o INCA, a idade está entre os fatores relacionados ao desenvolvimento do câncer de mama, e a maior parte dos casos ocorre em mulheres com mais de 50 anos.

Mulheres mais jovens, entretanto, também podem desenvolver a doença.

Além da idade, fatores relacionados à história reprodutiva e hormonal, histórico familiar e genético, consumo de bebidas alcoólicas, excesso de peso após a menopausa e inatividade física podem estar associados ao risco de desenvolvimento da doença.

A presença de um ou mais fatores de risco não significa que uma pessoa necessariamente desenvolverá câncer.

Mamografia deve seguir orientação adequada

A mamografia desempenha papel importante na identificação de alterações suspeitas, mas a indicação deve considerar as recomendações de rastreamento e as características individuais de cada paciente.

Sintomas, idade, histórico familiar e outros fatores podem exigir avaliação individualizada por profissionais de saúde.

“O Outubro Rosa é uma oportunidade para reforçar uma mensagem que precisa permanecer durante todo o ano: cuidar da saúde das mamas deve fazer parte da rotina. A mamografia e os demais exames devem seguir a indicação adequada para cada mulher, levando em consideração idade, histórico familiar, sintomas e outros fatores de risco”, afirma Peter Silva.

Outubro Rosa reforça cuidado durante todo o ano

Embora outubro concentre campanhas e ações de conscientização em todo o país, a atenção à saúde das mamas não deve ficar restrita ao período do Outubro Rosa.

Informação confiável, hábitos saudáveis, acompanhamento adequado e acesso oportuno aos serviços de saúde são componentes importantes no enfrentamento do câncer de mama.

Diante de qualquer alteração persistente ou suspeita, a orientação é procurar uma unidade ou profissional de saúde para avaliação.

Fontes: Instituto Nacional de Câncer (INCA) e informações fornecidas pela Oncológica do Brasil.

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