Congo registra mais de 4 mil mortes em surto de Ebola
Epidemia provocada pelo vírus Bundibugyo já soma mais de 8 mil casos e se tornou o maior surto de Ebola já registrado na República Democrática do Congo
O surto de Ebola que atinge a República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou a marca de 4 mil mortes, segundo dados divulgados pelas autoridades congolesas nesta sexta-feira (2). A epidemia, provocada pelo vírus Ebola da espécie Bundibugyo, já é considerada a maior registrada na história do país.
A crise sanitária começou em 2026 e avançou por diferentes regiões congolesas. No fim de setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informava que a transmissão havia alcançado 63 zonas de saúde distribuídas por sete províncias. Em 23 de setembro, eram 7.890 casos confirmados e 3.799 mortes, com taxa de letalidade de 48,1%. Dados posteriores das autoridades nacionais elevaram o número de vítimas para mais de 4 mil.
O avanço transformou a atual epidemia no maior surto de Ebola já documentado na República Democrática do Congo. A OMS já havia confirmado em agosto que a quantidade de casos havia superado a epidemia de 2018 a 2020.
Ituri concentra grande parte dos casos
A província de Ituri permanece como o principal epicentro. Em 23 de setembro, a região acumulava 6.032 casos confirmados desde o início da epidemia. Kivu do Norte aparecia em seguida, com 1.480 registros.
A resposta das autoridades enfrenta obstáculos adicionais provocados por conflitos, insegurança, deslocamentos populacionais e dificuldades de acesso aos serviços básicos. Segundo a OMS, esse cenário prejudica ações de vigilância, identificação de casos, rastreamento de contatos e atendimento rápido aos pacientes.
Equipes de saúde também intensificaram o monitoramento das comunidades. A vigilância epidemiológica é utilizada para detectar rapidamente casos suspeitos, investigar possíveis infecções e acompanhar pessoas que tiveram contato com pacientes infectados.
Vírus Bundibugyo
O surto atual é provocado pelo vírus Bundibugyo. A OMS informa que não existe atualmente vacina licenciada nem tratamento específico para essa espécie do Ebola, embora candidatos estejam sendo avaliados.
O quadro exige atenção porque a doença pode apresentar elevada letalidade e a expansão geográfica aumenta o risco de transmissão para países vizinhos. A OMS classifica o risco dentro da República Democrática do Congo como muito alto e o risco para países que compartilham fronteiras terrestres com o país como alto. Para o restante da África e em escala global, a avaliação permanece baixa.
Apesar do cenário, a OMS não recomenda restrições gerais de viagens ou comércio com os países afetados. Entre as prioridades estão identificação rápida de casos, testes, atendimento adequado, vigilância epidemiológica e cooperação entre países fronteiriços.
Fontes: Agência Brasil e Organização Mundial da Saúde.



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